domingo, 19 de dezembro de 2010

Não estático mas carregado de tensões o expressionismo abstrato de Micael Oliveira

     Jackson Pollock costumava dizer que sua pintura não provinha do cavalete. Ele preferia estender a tela sobre o chão ou aplicá-la contra a parede pois tinha a necessidade de sentir a resistência de uma superfície dura. Entretanto sentia-se mais a vontade de trabalhar no chão, por sentir-se mais próximo da tinta, dela fazendo parte de alguma maneira.
     Guardados as proporções, Micael Oliveria um jovem artista de Itápolis, fascinado pela obra do grande pintor da Escola de Nova York, decidiu homenageá-lo inspirando-se em sua obra e preparar uma série de quadros.
     Se na obra do mestre Pollock a violência é toda exterior, na realidade a criação do artista brasileiro é mais interior. Nela revela suas dúvidas e interrogações, ao mesmo tempo em que busca sair do labirinto que ele próprio criou.
     Não há nenhuma provocação de sua parte mas uma necessidade real de manifestar sua vontade de encontrar o caminho e soltar-se dos grilhões que ainda o acorrentam. Muito trabalho, pesquisa e leitura poderão contribuir para que sua sensiblidade elabore obras que criem uma união íntima entre o homem e o produto.
     Na obra Relembrando Pollock, doado ao Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, é evidente o expressionismo abstrato de Micael Oliveira, embora não estático mas carregado de tensões.

Esta reportagem foi publicada no Diário Oficial Poder Legislativo em junho de 2007, escrita por EMANUEL VON LAUENSTEIN MASSARANI.

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